sábado, 30 de julho de 2011

TIPOS DE ASSALTANTES

TIPOS DE ASSALTANTES (fique esperto )
ASSALTANTE BAIANO:
Ô meu rei... ( pausa ) Isso é um assalto.. ( longa pausa)
Levanta os braços, mas não se avexe não..( outra pausa )
Se num quiser nem precisa levantar, pra num ficar cansado ..
Vai passando a grana, bem devagarinho ( pausa pra pausa )
Num repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar muito pesado.
Não esquenta, meu irmãozinho, ( pausa )
Vou deixar teus documentos na encruzilhada .


ASSALTANTE MINEIRO:
Ô sô, prestenção
issé um assarto, uai.
Levantus braço e fica ketin quié mió procê.
Esse trem na minha mão tá chein de bala...
Mió passá logo os trocados que eu num tô bão hoje.
Vai andando, uai! Tá esperando o quê, sô?!

ASSALTANTE CARIOCA:
Aí, perdeu, mermão
Seguiiiinnte, bicho
Tu te fu.. Isso é um assalto .
Passa a grana e levanta os braços rapá, senão vai dar merda...
Não fica de caô que eu te passo o cerol....
Vai andando e se olhar pra tras vira presunto

ASSALTANTE PAULISTA:
Pô, meu ...
Isso é um assalto, meu
Alevanta os braços, meu .
Passa a grana logo, meu
Mais rápido, meu, Pô, se manda, meu

ASSALTANTE GAÚCHO:
Gurí, ficas atento
Báh, isso é um assalto
Levanta os braços e te aquieta, tchê !
Não tentes nada e cuidado que esse facão corta uma barbaridade, tchê.
Passa os pilas prá cá ! E te manda a la cria, senão o quarenta e quatro fala.


ASSALTANTE DE BRASILIA:
Querido povo brasileiro, estou aqui no horário nobre da TV para dizer que no final do mês, aumentaremos as seguintes tarifas: Energia, Água, Esgoto, Gás, Passagem de ônibus, Imposto de renda, Lincenciamento de veículos, Seguro Obrigatório, Gasolina, Álcool, IPTU, IPVA, IPI, ICMS, PIS, COFINS, CPMF...,mas fiquem tranquilos meus queridos, será tudo revertido para saúde e educação.

E o povo brasileiro só pensando na Copa e nas Olimpíadas...

sábado, 26 de março de 2011

MATRIX E A FILOSOFIA



Sinopse do filme MATRIX :

      "Em um futuro próximo, Thomas Anderson (Keanu Reeves), um jovem programador de computador que mora em um cubículo escuro, é atormentado por estranhos pesadelos nos quais encontra-se conectado por cabos e contra sua vontade, em um imenso sistema de computadores do futuro. Em todas essas ocasiões, acorda gritando no exato momento em que os eletrodos estão para penetrar em seu cérebro. À medida que o sonho se repete, Anderson começa a ter dúvidas sobre a realidade. Por meio do encontro com os misteriosos Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Anne Moss), Thomas descobre que é, assim como outras pessoas, vítima do Matrix, um sistema inteligente e artificial que manipula a mente das pessoas, criando a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia. Morpheus, entretanto, está convencido de que Thomas é Neo, o aguardado messias capaz de enfrentar o Matrix e conduzir as pessoas de volta à realidade e à liberdade."



REFLEXÕES FILOSÓFICAS:

 

      "Imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoço acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.(..) Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que o transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e loba espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio." (1)

       Tanto na República quanto em Matrix temos exemplos de seres humanos que quebraram essas correntes e avançaram para a verdade da vida, para ajudar aos outros a alcançar o mesmo fim. Platão apresenta um indivíduo da busca da verdade através de um desejo de conhecimento, enquanto que Matrix dá-nos um "messias" ou um herói para faze-nos livres.

       Lançado em 1999 Matrix nos apresenta uma história interessante que faz-nos supor ter bebido de diferentes teorias filosóficas. Primeiramente podemos ver óbvias semelhanças com a Alegoria da Caverna de Platão.

         Neo durante toda a sua vida tinha uma lancinante dúvida de que o mundo em torno dele, de algum modo, não é certo. Ele vem em contato com Morfeu, que confirma suas dúvidas. Num futuro distante as máquinas (inteligência artificial) assumiram o controle, e utilizam os seres humanos não mais do que como fontes de energia, distraindo-os, alimentando uma realidade virtual, uma simulação computacional (Matrix), através de uma sonda diretamente no cérebro. Neo é resgatado (desconectado) por Morpheus, e levado em uma nave que viaja abaixo da superfície da Terra - um planeta morto agora, governado por um computador inteligente que mantêm o ser humano resignado ao mundo da realidade virtual , o "Matrix", que é alimentado em seus cérebros.



      De acordo com Platão, nosso mundo não é senão as sombras, as formas de manifestações imperfeitas. Os presos da caverna de Platão são cegos da verdadeira realidade como são as pessoas dentro da Matrix.

      
      A Matrix é uma simulação que cria um mundo imaginário onde as pessoas são prisioneiras da realidade, muito mais como a Caverna de Platão. As sombras ou imagens que os presos vêem no muro são tudo que os presos sabem do mundo fora da caverna. Projeções de objetos que não são reais, mas parecem reais porque eles nunca viram o mundo real. Pessoas na Matrix só vêem o que mostram as máquinas, tornando difícil acordar de um sonho contínuo, estão aprisionados em um mundo ilusório e incapazes de se libertar.

      No entanto, se um dos presos na caverna torna-se livre, e consegue olhar para o fogo, e alguém disser a ele que o que ele sabia do mundo até agora foi uma ilusão e apenas metade da realidade, ao tentar sair da caverna ele seria agredido pela forte luz do sol, e ficaria intrigado e poderia pensar que o que ele viu antes era mais verdadeiro do que aquilo que foi mostrado a ele agora.

      Na verdade, a verdade dói, literalmente, neste caso, porque confinado na escuridão, desde o início, quando se voltou para o fogo, seus olhos não se ajustariam tão rapidamente ao brilho. Na Matrix Neo também enfrenta as mesmas dificuldades, seus olhos e membros estão doloridos e quando ele pergunta a Morfeu o por que, a resposta é "você nunca as usou antes". (Os humanos são utilizados como fontes de energia, como pilhas, pelas máquinas. Um corpo humano é preservado em uma cuba com múltiplos fios ligados à Matrix.)

    Para deixar bem claro nas palavras de Sócrates: "E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não o desviará a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?". (2)

    Na Matrix, quando Morfeu mostra a Neo "o deserto do real" e explica a realidade do ano 2199 (aproximadamente, eles próprios não são claros do ano), ele gritou "deixa-me sair deixe-me sair, eu quero sair".

      Se alguém arrastar um prisioneiro da caverna rumo a luz do sol ele primeiramente ficaria ofuscado e não seria capaz de ver com clareza tudo de uma vez. Ele iria começar por olhar para as sombras, as imagens e, em seguida, os objetos reais, e por último o próprio sol e assim através da razão e do conhecimento do real. Quando Neo supera o seu desconhecimento e se dá conta de que tudo que ele vê é ilusão, manipulações realizadas por um computador, ele percebe, o seu potencial.

     Mas todas as pessoas estão prontas para serem desconectadas? Nem todo mundo está preparado para aceitar a realidade facilmente, o prisioneiro na caverna liberado de suas correntes, sentia que era preferível manter-se em um ambiente familiar do que ir à procura da verdade em um território desconhecido. Igualmente na Matrix Cypher sentiu que Morfeu enganou-o trazendo-o para a realidade, ele está farto de ter negada a simples possibilidade de comida decente. Torna-se então o traidor, na esperança de voltar a Matrix, para o mundo que ele estava familiarizado. Na Matrix, é duvidoso que o mundo real seja melhor do que a simulação computacional. Porque a Matrix pode realmente parecer uma escolha melhor.

     O principal tema da Alegoria da Caverna é nos alertar de nossa ignorância, e aquilo que você vê não é real, expresso pelas Matrixes.

     A Matrix é em grande parte paralelo à analogia da caverna, iluminação, liberdade, etc. estão subjacentes idéias de ambos.


(1) PLATÃO - Os Pensadores, A Republica, livro VII (pag. 225), São Paulo, Nova Cultural 1997

(2) PLATÃO - Os Pensadores, A Republica, livro VII (pag. 226), São Paulo, Nova Cultural 1997


QUESTÕES:

1) Explique o que é a Matrix, de acordo com o texto/filme. (1,0)

2) Compare a Alegoria da Caverna ao filme Matrix, através de dois exemplos. (2,0)

3) Qual o principal tema da Alegoria da Caverna, de Platão? (1,0)

4) Explique o que o autor do texto quis dizer com a frase: "a verdade dói." Em que contexto ela se insere? (1,0)












FIM DOS TEMPOS


Sandy devassa.
Faustão magro.
Silvio Santos no prejuízo.
Dilma fazendo omelete na Ana Maria Braga.
Tiririca na Comissão de Educação.
Maluf e Collor na Comissão de Reforma Política...

Não era em 2012 o fim do mundo?

sábado, 19 de março de 2011

AS MIL E UMA NOITES


SHERAZADE E A MULHER ATUAL


     O que chama atenção na história de Sherazade é a valorização da sabedoria da mulher, algo inédito na cultura islâmica, que relega a mulher a uma posição inferior à do homem. Sherazade não precisou recorrer ao corpo para atrair o sultão e fazê-lo se apaixonar: ela atraiu-o pela lábia, pela inteligência, pela sagacidade, pela sabedoria.  Muitas mulheres atuais, ao contrário, julgam que apenas pelos encantos físicos irão conseguir manter um homem ao seu lado. E quantos sacrifícios fazem para isso! Algumas chegam a se deformar, usando anabolizantes para ficarem atraentes... Que os homens são visuais, é fato. Atraí-los pela beleza é fácil. Difícil é despertar o interesse deles após o prazer sexual (muitos desejam que a parceira desapareça depois do ato). E, nesse ponto, Sherazade nos dá uma lição: ela atrai Shariar pela  beleza, mas o mantém a seu lado pela perspicácia, pela admiração que faz  Shariar sentir por ela, pelo prazer de estar ao lado de alguém que tem o que dizer. 

   Para quem não conhece, eis um resumo da história de Sherazade, das Mil e uma noites:

Tudo começa com a história do rei Shariar. Ele descobre que está sendo traído pela esposa, que tem um servo como amante, e, enfurecido, mata os dois. Depois, toma uma decisão terrível: a cada noite, vai se casar com uma nova mulher e, na manhã seguinte, ordenar sua execução, para nunca mais ser traído. Assim procede por três anos, causando medo e lamentações em todo o reino. Um dia, a filha mais velha do primeiro-ministro do rei, a bela e sábia Sherazade, diz ao pai que tem um plano para acabar com a barbaridade do rei. Para aplicá-lo, porém, ela precisa casar-se com ele. Horrorizado, o pai tenta convencer a filha a desistir da idéia, mas Sherazade estava decidida a acabar de vez com a maldição que aterroriza a cidade. Quando chega a noite de núpcias, sua irmã mais nova, Duniazade, faz o que sua Sherazade havia pedido. Vai de madrugada até o quarto dos recém-casados e, chorando, pede para ouvir uma das fabulosas histórias que a irmã conhece. Sherazade começa então a narrar uma intrigante história que cativa a atenção do rei, mas não tem tempo de acabar antes do amanhecer. Curioso para saber o fim do conto, Shariar concede-lhe mais um dia de vida. Mal sabe ele que essa seria a primeira de mil e uma noites! As histórias de Sherazade, uma mais envolvente que a outra, são sempre interrompidas na parte mais interessante. Assim, dia após dia, sua morte vai sendo adiada.

A mulher atual deve ser bela, sexy e sábia. Mas vulgar e fútil, nunca!



  

quarta-feira, 9 de março de 2011

CARNAVAL, O ÓPIO DO POVO


     Que brasileiro gosta mesmo é de sexo, cerveja, futebol e carnaval, não há dúvida. Mas ao me deparar com essa charge, lembrei-me de Karl Marx, quando este afirmava que a religião era o ópio do povo. Mas os tempos eram outros, os de Marx. O continente era outro. O país era outro. O povo idem. Analisando o que se tornou o carnaval brasileiro, chego à conclusão de que o carnaval e o futebol, além de outras coisitas más, são, de fato, as drogas atuais, que cegam a população diante de questões mais importantes, como o vergonhoso aumento do salário dos deputados e o humilhante aumento do salário mínimo para 545,00 reais. Mas o que representam esses problemas, na opinião da maioria da população, diante de 4 dias de folia (10 para muitos)?

   Minha única aventura nestes dias de Rei Momo foi em um bairro próximo à minha casa. Bastou para eu perceber que as pessoas, neste bairro, só buscavam bebidas, azaração e sexo. Ninguém dançava ou pulava... apenas caminhavam de um lado para o outro, expondo suas figuras, oferecendo seus corpos para o voyerismo coletivo ou para uma aventura qualquer. Deprimente. Isso é diversão? Enfim, nos outros dias, reuni família e amigos e promovi outro tipo de diversão, que nos agradou mais: jogamos baralho, jogamos can can (uno), jogo do cinema, bebemos, comemos, rimos, trocamos ideias, ouvimos música...

   E o tempo nem sequer serviu para ir à praia ou pegar uma piscina. Eu costumo curtir esses dias de folia nas praias (geralmente viajando). Mas, enfim... cada um na sua, afinal, opinião é igual a bunda: cada um tem a sua e dá quem quer! 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010


VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS


    Os casos de agressão física e verbal registrados em escolas brasileiras todos os dias têm fatores externos ao ambiente de ensino, segundo especialistas. A falta de limites de crianças e adolescentes dentro de suas casas gera a sensação de que tudo é possível também em outros cenários, como a instituição de ensino. Do outro lado da equação explosiva estão professores desvalorizados e estressados, prestes a perder a paciência a qualquer momento. E a violência se multiplica.


Nas últimas semanas, os eventos que transformaram as escolas e salas de aula em geral em palcos de crimes ganharam destaque no noticiário nacional. Um professora do Rio foi presa por manter relações sexuais com duas alunas de 13 anos. Uma universitária diz ter sido chamada de Lady Kate - personagem do programaZorra Total - pelo educador em São Paulo. Uma diretora foi agredida por um jovem de 15 anos em Santa Catarina.
Para a professora Helena Côrtes, da faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), há uma "omissão" no papel educacional da família, que é de desenvolver valores na criança. "A escola, de maneira geral, reflete a sociedade em que vivemos. Ela espelha o entorno social em que ela está inserida. Vivemos em uma sociedade violenta, com limites frouxos", disse. Para a professora, se o aluno vive em ambiente em que nada lhe é cobrado por parte dos pais, ele não vai respeitar a autoridade do educador. "Reflete na relação professor-aluno o fato de que ninguém respeita a polícia, a Justiça, os pais", afirmou.
Segundo a professora Neide Noffs, coordenadora do curso de Psicopedagogia da PUC-SP, o aumento da violência em todos os setores da sociedade é um dos reflexos de mudanças no contexto familiar. "Os pais não conseguem disciplinar seus filhos pela própria situação de deterioração do modelo de família. Eles se apresentam completamente impotentes para lidar com situações de agressão - às vezes eles mesmos são agredidos", disse.
A violência, para a professora Helena, tem a mesma base nas instituições públicas e privadas: a educação dentro de casa. Há, porém, algumas "peculiaridades" em relação ao ambiente econômico em que os pais vivem. "Os filhos reproduzem o que ouvem dentro de casa. Na escola privada, ele ouve que paga o salário do professor, então o professor é um servo, é desvalorizado por ser um funcionário a serviço da família das classes A e B", disse. Já nas comunidades carentes, segundo Helena, a violência em sala de aula é um reflexo de características daquela comunidade, como a marginalidade, o tráfico de drogas, a falta de definição de valores e a inexistência de vínculos familiares. Para a professora Neide, a diferença está apenas na vigilância dos alunos de instituições particulares, o que pode dar a impressão de que a violência é menor nestes locais.

Para Helena, há um sentimento de "deixar que a escola ensine". "As pessoas deixaram de assumir responsabilidade. A família da classe A terceiriza para não se incomodar, para poder aproveitar seu spa. Já a família carente terceiriza porque não tem condição de segurar, de ensinar". Isso, porém, sobrecarrega a escola e o professor.
A falta de condições para trabalhar é o principal fator apontado por Neide para a situação de estresse vivida por muitos professores nas salas de aula de todo o País. Segundo ela, as jornadas muito longas, duplas e às vezes triplas do corpo docente desgastam o educador. "Ninguém o respeita, ele come de pé, não tem livro para se atualizar... Ele vai se desanimando", afirmou. Para ela, além melhorias no ambiente de trabalho, o educador deveria ter uma preparação mais específica. "A formação do professor implicaria em um trabalho pessoal. Reforçar que um bom professor não é aquele que ensina conhecimentos corretos, mas também aquele que é tolerante e desenvolve valores, tem tempo para ele mesmo, tem uma distração", disse.

Para as duas especialistas, a articulação entre a família e a escola é essencial para coibir comportamentos violentos em sala de aula. "A educação escolar não opera sozinha. Ela pode ficar batendo na tecla, mas se a família não ajuda, não adianta", disse Helena. "A escola não é prisão. Eles não vão para serem reeducados socialmente, vão para aprender. Mas tem que ter clima, tem que der um mínimo de diálogo e participação dos pais na escola", afirmou Neide.
ISADORA GASPARIN

ÉTICA NO BRASIL


Ética no Brasil

"Na atual sociedade brasileira, muitos setores defendem a ética como se esta fosse a solução para todos os problemas brasileiros. Acontece, que no dia-a-dia, muitos daqueles que pregam a defesa da ética são os primeiros a desrespeitá-la. A todo momento, pessoas querem levar vantagem em relação as demais pessoas, seja nas pequenas coisas ou mesmo nas grandes coisas. A solução dos problemas brasileiros não está relacionada apenas com a observância da ética, mas também com a prática. As pessoas devem dar exemplo, ser exemplos, ao invés de ficarem apenas criticando, e na primeira oportunidade que tiverem fazerem o inverso daquilo que tem defendido". Muda Brasil.


Proibida a reprodução no todo ou em parte sem citar a fonte em atendimento a lei federal que cuida dos direitos autorais no Brasil.
Paulo Tadeu Rodrigues Rosa
Publicado no Recanto das Letras em 01/11/2007


Comentário pessoal: Não se aprende ética na escola, mas em casa, com os adultos que nos circundam, que nos dão o exemplo (ou mau exemplo) e formam os adultos que iremos ser.   

sexta-feira, 9 de abril de 2010

CRUELDADE INFANTIL

Sim, elas podem ser cruéis Um tabu impede que se discuta a maldade infantil. Mas ela existe. E pode esconder transtornos graves, por MArtha Mendonça Aos 7 anos, T. convenceu seus pais, profissionais liberais de Belo Horizonte, a demitir duas empregadas domésticas. O motivo alegado: elas batiam nele. As duas negaram as agressões, mas o menino chegou a apresentar uma marca roxa no braço. Um ano depois, nova queixa sobre outra empregada. Revoltado, o casal decidiu colocar câmeras escondidas. O que viram foi uma surpresa: T. era o agressor, com pontapés e atirando brinquedos. No fim de uma semana, perguntaram se a empregada havia batido nele novamente. Choroso, T. respondeu que havia sido surrado na cozinha – onde as imagens não mostravam nada. Diante das sucessivas mentiras, foi castigado. Três anos depois, reincidiu. Com os pais já separados, adquiriu o costume de tirar dinheiro da carteira dos dois, dizendo ao pai que era a mesada da mãe, e vice-versa. Os pais só descobriram a farsa durante uma discussão sobre dinheiro. Pouco antes, uma empregada fora mandada embora da casa da mãe depois do sumiço de R$ 50. T. disse que a vira pegar a nota. Diante disso, os pais concluíram que o menino precisava de tratamento. Poucas sessões depois, o diagnóstico foi duro: ele apresentava o chamado transtorno de conduta, nome formal para a velha “índole ruim”. “Não é fácil a sociedade aceitar a maldade infantil, mas ela existe”, diz Fábio Barbirato, chefe da Psiquiatria Infantil da Santa Casa, no Rio de Janeiro. Ele explica que a criança ou adolescente que tem essa patologia pode se transformar, na vida adulta, em alguém com a personalidade antissocial – o termo usado hoje em dia para o que era chamado de psicopatia. “Essas crianças não têm empatia, isto é, não se importam com os sentimentos dos outros e não apresentam sofrimento psíquico pelo que fazem. Manipulam, mentem e podem até matar sem culpa”, diz Barbirato. Por volta da década de 70 do século passado, teorias sociais e psicanalíticas tentaram vincular esse comportamento perverso à educação e à sociedade. Nos últimos anos, porém, os avanços da neurologia sugerem a existência de um fenômeno físico: imagens mostram que, nas pessoas com personalidade antissocial, o sistema límbico, parte do cérebro responsável pela empatia e pela solidariedade, está desconectado do resto. Um obstáculo para o tratamento de crianças com sinais de transtorno de conduta é o próprio tabu da maldade infantil. O senso comum afirma que as crianças são inocentes – uma crença que resulta da evolução histórica da família. Até o século XVII as crianças eram consideradas pequenos adultos e muitas nem sequer eram criadas pelos pais. No século XVIII, isso mudou. A família burguesa fechou-se em si mesma, dentro de casa. O lar virou um santuário e a criança o centro dos cuidados e das atenções. Foi o nascimento do sentimento de infância, dentro de um grupo que agora tinha como laços o afeto e o prazer da convivência. Se a criança é o eixo do sentimento moderno de família, ela não pode ser má. Eis o tabu. NÃO PODE A atriz mirim Klara Castanho como Rafaela, a criança manipuladora de Viver a vida. A justiça não quer que ela seja má Desde que a novela das 9 da TV Globo, Viver a vida, foi ao ar, em setembro do ano passado, o Ministério Público do Rio de Janeiro acompanha de perto a personagem Rafaela. A menina, vivida pela atriz mirim Klara Castanho, de 9 anos, desagradou à Justiça. O autor, Manoel Carlos, foi notificado. No documento, um pedido para que ele tenha “cuidado ao elaborar a personalidade de personagens cujos atores são menores de idade”. Na trama, Rafaela é uma menina mimada, que, para defender seus interesses, faz chantagem com uma amiga de sua mãe. Rafaela não pratica a maldade sem motivações concretas ou demonstra curiosidade mórbida. Ainda assim, o Ministério Público considera a personagem pouco adequada. Criança, aparentemente, não pode ser vilã. As escolas, porém, desmentem isso: elas costumam ser o palco diário das maldades das crianças com transtorno de conduta. A psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do best-seller Mentes perigosas, diz que crianças e adolescentes com esse distúrbio costumam estar por trás dos casos mais graves de bullying. Em maio, ela lançará Bullying – Mentes perigosas nas escolas, com foco na maldade infantil. “É típico do jovem com transtorno de conduta saber mentir e manipular para que os outros levem a culpa”, afirma. Barbirato faz uma ressalva. “Pequenas maldades e mentiras são absolutamente comuns na infância. De cada 100, cerca de 97 têm comportamento normal e, ao amadurecer, saberão diferenciar o certo do errado e desenvolverão a empatia”, diz. Mas, e os 3% que faltam? Serão obrigatoriamente personalidades antissociais na vida adulta, seres sem empatia? Os especialistas são taxativos ao afirmar que não se cura transtorno de conduta. Ele será, no máximo, amenizado se tratado a tempo e houver sempre algum tipo de vigilância. Na maior parte dos casos, porém, isso não acontece. E o resultado de ninguém ter notado esses sinais durante a infância aparece de forma trágica. “Essa criança poderá ser um político corrupto, um fraudador, até um torturador físico ou emocional, chegando a um assassino em série”, diz Ana Beatriz. Os especialistas afirmam que não se cura transtorno de conduta, mas ele pode ser amenizado. No último domingo, um exemplo extremo ocorreu na Pensilvânia, Estados Unidos. Jordan Brown, de apenas 11 anos, deu um tiro na nuca da namorada do pai, grávida de oito meses. O menino chegou a conseguir enganar a polícia dizendo que uma caminhonete preta havia entrado na propriedade da família. Mas a arma foi encontrada em seu quarto. A polícia não entendeu a motivação do crime. “Há casos em que a explicação é simplesmente uma curiosidade mórbida”, afirma Ana Beatriz. “Todos nós, quando pequenos, temos essa curiosidade. Mas, por volta de 4 ou 5 anos, começamos a ter a percepção do outro. O que não acontece com quem tem o transtorno de conduta.” A falta de tratamento dessas crianças é, muitas vezes, consequência da ignorância ou da falta de recursos. Mas não só. A estrutura familiar de hoje, com pais trabalhando fora o dia todo e com tendência a dar poucos limites aos filhos, favorece o desenvolvimento do transtorno de conduta. Qualquer criança que não é repreendida pelo pais sobre seus erros tende a crescer pouco civilizada. Se ela tem uma tendência antissocial, não haverá amarras para esse comportamento. O relato de um psiquiatra do Rio Grande do Sul mostra quanto é difícil pais assumirem a necessidade de tratamento dos filhos. Em 2008, ele teve como paciente R., de 11 anos. A menina colocara fogo na mochila de uma colega de turma. Repreendida por professores e pais, teve como reação apenas rir. No ano anterior, fizera o mesmo com o rabo do cachorro de uma prima. Questionada, disse apenas que a prima não merecia ter um cachorro. Durante o tratamento, R. afirmou ao psiquiatra que não nutria nenhum sentimento especial em relação aos pais.“Ela tinha um olhar frio e uma ironia extremamente precoce para sua idade. Não sentia culpa. R. me tratava como um empregado”, diz o psiquiatra. Depois de um ano de tratamento, os pais acharam que ela estava melhor e poderia interromper as sessões. “Ela os manipulou – e disse a mim, explicitamente, que fingiria estar melhor e conteria seus atos. Contei a eles, mas não acreditaram em mim”, afirma. R. jamais voltou a seu consultório.

segunda-feira, 29 de março de 2010

A PRINCESA NEGRA

     Foi com um misto de surpresa e decepção que assisti "A PRINCESA E O SAPO", que narra a história de Tiana, primeira princesa negra da Disney. Surpresa por tratar-se de uma norte-americana - imaginei que se tratasse de uma história africana, que a Tiana fosse de alguma tribo local, mas enganei-me. 


    Eis uma sinopse do desenho, retirada de um site chamado CINEMA COM RAPADURA: 


     Particularmene, julguei o filme mal divulgado (seria racismo? Vai saber...)  "Muito se comentou sobre Tiana, protagonista deste “A Princesa e o Sapo” ser a primeira princesa negra da história dos longas animados da Disney. No entanto, a etnia da personagem, mesmo em tempos de Barack Obama, passa longe de ser um fator de muita atenção desta fita, cuja história se passa na Nova Orleans da década de 1920, em pleno desabrochar do jazz. Tiana é uma esforçada garçonete que trabalha em vários turnos, economizando cada centavo que ganha para um dia abrir um restaurante, sonho que ela compartilhava com seu falecido pai. Certo dia, Naveen, um príncipe galanteador e boa-vida de uma nação estrangeira chega à cidade, encantado pelo jazz desta e em busca de uma noiva rica, já que seus pais cortaram-lhe a mesada. A principal candidata ao cargo é Charlotte, uma endinheirada e mimada amiga de Tiana, que pede a garota para ajudar no baile de máscaras, no qual pretende conquistar o jovem membro da realeza. No entanto, Naveen acaba vítima do Dr. Facilier, um feiticeiro vodu que quer roubar a fortuna do pai de Charlotte, e se transforma em um sapo, com o encanto só podendo ser desfeito pelo beijo de uma princesa, tal como no proverbial conto de fadas. Confundindo Tiana com uma princesa, Naveen lhe pede um beijo em troca de ajudá-la a realizar os seus sonhos. Assim, a pobre coitada também se vê transformada, verde e coberta de muco. Agora, o príncipe egoísta e preguiçoso e a esforçada garçonete terão de correr para voltarem às suas formas originais, contando com a ajuda do crocodilo trompetista Louis e do vaga-lume caipira Ray, vítima de um amor impossível." 


 Para ler tudo: http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/152797/a-princesa-e-o-sapo/ 


     O mais lindo do filme, em minha opinião, foi o amor do vagalume... ser a Evangeline de alguém, de fato, é algo maravilhoso! 

A Geração Tribalista

A Geração Tribalista - O tribalismo por sua verdade, Arnaldo Jabour Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, levanta os braços,sorri e dispara: "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também". No entanto, passado o efeito do uí­sque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapeuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animada­ssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, onde "toda ação tem uma reação". Agir como tribalista tem consequencias, boas e ruins, como tudo na vida. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de lí­ngua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair muitas vezes com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra,etc, etc, etc. Embora já saibam namorar, "os tribalistas" não namoram. Ficar, também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um,dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente esté apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho. Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança? A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim como se deseja "a cereja do bolo tribal", enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas. Desconhece a delí­cia de assistir um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçados,roçaando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor. Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer bom dia, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter"alguém para amar". Já dizia o poeta que "amar se aprende amando" e se seguirmos seu raciocí­nio, esbarraremos na lição que nos foi passada nas décadas passadas: relação é sinônimo de desilusão. O número avassalador de divórcios nos últimos tempos, só veio a confirmar essa tese e aqueles que se divorciaram (pais e mães dos adeptos do tribalismo), vendem na maioria das vezes a idéia de que casar é um péssimo negócio e que uma relação sólida é sinônimo de frustrações futuras. Talvez seja por isso que pronunciar a palavra "namoro" traga tanto medo e rejeição. No entanto, vivemos em uma época muito diferente daquela em que nossos pais viveram. Hoje podemos optar com maior liberdade e não somos mais obrigados a"comer sal junto até morrer". Não se trata de responsabilizar pais e mães, ou atribuir um significado latente aos acontecimentos vividos e assimilados na infância, pois somos responsáveis por nossas escolhas, assim como o que fazemos com as licões que nos chegam. A questão não é causal, mas quem sabe correlacional. Podemos aprender a amar se relacionando. Trocando experiências,afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos. E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber, é estar disponí­vel de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins. Ser de todo mundo, não ser de ninguém, é ao mesmo que não ter ninguém também... é não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e a tão temida solidão...........

Brasileiro cria final para Caverna do Dragão

 
   Vídeo usa trechos da dublagem original! Vale a pena conferir... extremamente tosco e divertido! 

 Eis o link: 

 http://ocapacitor.uol.com.br/tv/nota-brasileiro_cria_final_para_caverna_do_dragao-1623.html

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O VELÓRIO DA ESCOLA E A MORTE DO ADULTO

Do sociólogo Luciano Alvarenga:

Na escola Objetivo da cidade de Promissão, interior de São Paulo, os alunos do colegial fizeram um corredor polonês e aguardaram o professor passar, professor este que cometeu o equívoco de ter impedido que dois ou três alunos entrassem na sala de aula após o sinal. O dito professor foi agredido verbalmente e ouviu todo tipo de xingamento já conhecido e inventado.


Numa outra escola particular, agora em Rio Preto, também interior, onde acontecia uma reunião de pais e mestres a mãe de dada aluna levantou-se para comentar alguma coisa, quando foi abruptamente interrompida pela filha com a seguinte frase: “cala a boca mãe, a senhora não sabe nada”.

Que a escola é uma morta insepulta não resta mais dúvida, que os professores nada mais tem a dizer que seja mais óbvio que o Google está claro a todos aqueles que dão aula. Que a escola se transformou num cárcere que visa manter em “estado de controle”, temporal, uma juventude sem paradeiro, sem formação ética e sem referência moral também está evidente. Que o mercado de trabalho não precisa mais da escola na maioria dos setores econômicos, basta ver pela distância entre o que escola pensa que ensina e o que o mercado cobra como formação.

Mas outra coisa se esconde naqueles dois episódios além do velório da escola. É a morte do adulto. Segundo a psicanalista Maria Rita Kehl a pelos menos 40 anos que a sociedade brasileira caminha sem a figura psicológica do adulto. Estamos vagando entre a infância cada vez mais reduzida e juventude e a terceira idade; terceira idade é um eufemismo para velho. O fato é que magicamente as pessoas passam a vida jovem e de repente estão na terceira idade, mas nunca são adultas.

A escola era um outro da autoridade do adulto. Sem adulto não faz sentido escola. O desmonte da família e sua transformação em um amontoado de indivíduos preocupados apenas com sua biografia também é resultado da morte do adulto. Se todos são jovens o papel de pai e mãe e filhos fazem cada vez menos sentidos, na verdade não faz sentido algum.

Ora, todos que trabalhamos em escola sabemos que a idade é um abismo que se forma entre professor e aluno. Que os professores que conseguem alguma relação com seus formandos, a maioria tem menos de trinta anos, ou, é algum tipo maluco que finge ser maluco para se manter vivo na sala de aula. A agressão ao professor está dentro deste contexto, alguém sem autoridade imaginou que pudesse riscar uma linha no chão dizendo quem pode o quê. Ninguém pode nada que não seja consenso estabelecido pela exigência da maioria – dos jovens. Além do mais, não são alunos, são clientes.

Numa sociedade que tem ojeriza do adulto – adulto é aquele que faz o papel de chato, cobrando, negando, exigindo – é natural que quando ele apareça seja logo posto em silêncio e lembrado de que sua função não existe mais, ainda por que “a senhora não sabe nada”. Nessa horizontalidade que tem como métrica a jovialidade, a leveza, o descompromisso, o fruir das sensações e desejos, é inadmissível que alguém numa dada situação, ainda mais na escola, venha a se comportar como adulto.

Tudo isso é alvorecer de um totalitarismo sobre os velhos e qualquer outro que não seja jovem, inclui-se os feios, os gordos, os defeituosos os diferentes de qualquer gênero ou grau. Beautiful People o site que não aceita feios ou alquebrados de qualquer natureza é revelador dos tempos que emergem nesta próxima década. O sucesso do site pelo mundo e sua presença em 89 países evidencia a alegria incontida em que os escolhidos se desprendem dos “outros” em direção ao éden. Explica também o sucesso das cirurgias plásticas.

Estes dias me disseram que tal bar era muito bacana... “só tem gente bonita”.


O CASO GEISY, DA UNIBAN - UM OUTRO OLHAR

Mas por que agora e justamente numa Faculdade tal coisa aconteceu, a humilhação da jovem Geisy? Em primeiro lugar é preciso entender que o público universitário, especialmente em instituições particulares, não é mais o mesmo de alguns anos antes. Em segundo, o discurso que vigora nestas instituições e o sentido que elas ganharam dos anos 2000 para cá. Desde os anos 2000 que cada vez mais o discurso das faculdades deixou de ser voltado para os alunos e passou a ser dirigido para o cliente e suas demandas. As faculdades, as que deram certo do ponto de vista financeiro como a Uniban e Anhanguera, por exemplo, passaram a ser empresas com roupa de escola, muito mais do que escola com vocação de empresa. Estas mudanças, que não pequenas, trouxeram para dentro das faculdades outra ética, a ética do consumo. A faculdade é neste sentido apenas o entreposto entre o colegial e o diploma universitário. Isso por que a formação universitária está mais ligada ao ajeitamento de mão de obra para um mercado ávido de novas energias - não interessando exatamente a hiperqualificação - e que será o lugar onde esta mão de obra se formará de fato. Dados do MEC mostram que 80% de todos os formados em quase todas as áreas não trabalham na carreira em que se formaram. Este dado diz tudo. (...) De um lado, formação universitária para atender a clientela mais interessada em diploma do que qualificação, de outro, uma política social e econômica geradora de oportunidades exigente de gente nova e mais ou menos preparada para ascender os motores destes novos tempos. Ora, o público formador das faculdades particulares é hoje em sua maioria esta nova classe média ascendente e ávida por oportunidades. Chegando a faculdade sem nunca terem lido um único livro, saem delas da mesma forma. Isso por que a idéia é simplesmente se apossar de um símbolo típico da velha classe média, escolaridade universitária, assim como já se apossam de outros como uma geladeira duplex, uma televisão de 29 polegadas, achocolatados, iogurtes e carro. As faculdades, é o caso da Uniban, apenas oferecem aquilo que encontra enorme demanda – diploma. Leia tudo:http://lucianoalvarenga.blogspot.com/2009/11/geisy-uniban-e-nova-classe-media.html